Vejamos cincos exemplos de propagandas explicitamente racistas de empresas e marcas famosas

Vejamos cincos exemplos de propagandas explicitamente racistas:

5 – Anúncio da Dove com conotações racistas.

Racismo Dove

Racismo Dove

Uma propaganda da Dove nos EUA, em 2011, foi acusada de racismo por sugerir que seus produtos embelezam embranquecendo.

A peça em questão divulga o “Dove VisibleCare” e traz uma imagem com três garotas: uma negra, uma com feições latinas e uma branca – nesta ordem.
Atrás delas há duas placas; a da esquerda, identificada com um “antes”, mais avariada que a da direita (“depois”). Só que abaixo do “antes” está a mulher negra, o que criou a impressão de “evolução” de uma cor à outra. Na assinatura, o anúncio informa que ao usar o produto a cliente terá uma “pele visivelmente mais bonita”.

A Dove se defendeu alegando que tudo não passa de uma coincidência.

4 – A Nivea e sua propaganda racista “recivilize-se”

Racismo Nivea

Racismo Nivea

A Nivea foi envolvida num escândalo, em 2011, por conta de uma das suas campanhas publicitárias. Na imagem, um homem negro, barbeado e com o cabelo bem cortado, se prepara para arremessar longe uma versão mais “roots” de si mesmo: cabelo afro e barba por fazer. Aconselhando o uso de um produto da marca, a agênia DraftFCB adotou o seguinte texto: “re-civilize yourself”, algo como “recivilize-se”.

Para não alongar a discussão, a própria Nivea se manifestou. Pelo Facebook, a marca agradeceu pelo feedback e assumiu que a peça é “inapropriada e ofensiva”. “Nunca foi nossa intenção ofender ninguém, e por isso estamos profundamente arrependidos”. Segundo a empresa, o anúncio não será mais usado.

3 – É pelo corpo que se reconhece a verdadeira Negra

Racismo Devassa

Racismo Devassa

Em 2010, uma “peça Publicitária” da Cervejaria Devassa exibe o desenho de uma mulher negra em trajes insinuantes, aparentando ser uma roupa de cabaré e, acima da imagem em letras maiúsculas o seguinte texto: “É pelo corpo que se reconhece a verdadeira Negra”.

Uma imagem que mostra o preconceito e o desrespeito com a mulher negra.

2 – Microsoft manipula foto tirando o negro

Racismo Microsoft

Racismo Microsoft

Numa imagem publicada num site da Microsoft, uma pessoa negra foi substituída por uma branca. Um rapaz viu no site da Microsoft da Polónia uma fotografia com 3 pessoas, numa espécie de reunião: um homem asiático, uma mulher branca e um homem branco. O rapaz reparou um pequeno pormenor: a mão do homem branco era preta.

Resultado, alguém havia modificado a imagem. Então foi ver no site original e lá estava a mesma foto, só que meio diferente: um asiático, uma mulher branca e um homem negro. Alguém tinha alterado a imagem para remover o preto da foto, só que se esqueceram da mão.

A Microsoft já pediu desculpa via Twitter.

1 – A Benetton e a imagem racista o Anjo e Diabo

Racismo Benetton

Racismo Benetton

Em 1991/92, no contexto do fim do apartheid sul-africano, a Benetton lançou a imagem Anjo e Diabo , contendo duas meninas, uma negra e outra branca, se abraçando.

Na peça publicitária a imagem de um anjo (garota branca e loura) e do diabo (garota negra). Fica evidente devido aos formatos dos penteados das meninas: a garota branca tem cachos que lembram uma figura angelical e a menina negra tem duas ondulações que lembram chifres da figura diabólica. Tal imagem retrata a positivização da cor de pele branca e a negativização do negro segundo o ponto de vista da própria sociedade que hipocritamente jamais havia tocado de maneira extravagante neste ponto.

Bom, depois desses 5 casos, com propagandas explicitamente racistas, fica uma dica: “Não consuma de empresa racista”. “Não compre onde você não ver o seu rosto”.

Você conhece outras propagandas com racismo explicito? Manifeste sua opinião e contribua denunciando qualquer propaganda racista.

Hernani Francisco da Silva – Afrokut

http://negrosnegrascristaos.ning.com

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Blogagem coletiva: repúdio ao caso de estupro e assassinato como presente de aniversário

Acompanhando os casos de violência contra a mulher no Brasil, já vimos inúmeros casos horríveis. Porém, a notícia de um estupro coletivo na cidade de Queimadas, Paraíba, deixa qualquer pessoa perplexa e angustiada. A violência de gênero ganha contornos de filme de terror. E a impunidade ainda é grande. Lembramos que há sites que ensinam como estuprar uma mulher. Mulheres são estupradas em metrôs e ônibus das grandes cidades.

Imagem: Campanha da ONU

Inúmeras dúvidas surgem em nossa perplexidade. E mesmo parecendo ingênuas, é preciso fazê-las: Por que esses homens acharam que podiam violentar essas mulheres dessa maneira? Como dez pessoas se associam para cometer uma atrocidade dessas? Apenas crueldade individual não explica esses crimes. Vivemos em uma sociedade que tornou célebre frases como: “estupra, mas não mata”.

Convocamos uma blogagem coletiva em conjunto com as mulheres do LuluzinhaCamp porque não é possível falarmos sozinhas de um crime tão abominável cmo esse. Precisamos divulgar que não aceitamos a violência de gênero que mata mulheres todos os dias. E que no domingo, dia 12 de fevereiro, matou Michele Domingues da Silva e Isabela Pajussara Frazão Monteiro.

Confira os posts participantes:

Por ter ouvido e lido muitas histórias de mulheres que sofreram abusos sexuais, sei que há um fator de fragilidade que atinge a todas nós, mulheres: é a vergonha. Mesmo para uma mulher madura ciente de seus direitos denunciar um estupro é um ato de coragem, na nossa cultura.

A racionalidade patriarcal, se é que nesse contexto de hoje posso chamá-la de racionalidade, ensinou e ensina por todos esses anos que conceitos como os acima esboçados estão bem próximos ou seriam próprios do homem. A mulher, apêndice, acessório e propriedade masculina, nunca recebeu devidamente o seu quinhão nessa história e, pelo contrário, foi e tem sido condenada toda vez que pretende exercer sua liberdade.

Imagine só. Você vai a uma festa com amigos pra dançar, curtir, se divertir e, se quiser e quando quiser, ficar com alguém. De repente seus conhecidos e amigos que estão lá entram mascarados, armados, simulando um assalto. Você e as outras amigas que estão na festa são amarradas. Amordaçadas. Uma a uma, são estupradas por diferentes homens. Eles riem do desespero. Vocês choram, desesperadas.

A mídia não disse, ninguém quase disse, então é nosso dever dizer. Um crime de gênero contra mulheres – esse mecanismo tão cruel de cercear a liberdade de nossos corpos.

A festa em Queimadas, na Paraíba, foi um presente de ódio para todas as mulheres. Aqueles homens não tiveram um pingo de empatia, não pensaram nem por um momento em suas mães, irmãs, filhas… Nem por um segundo qualquer dos malditos pensou que poderia ter nascido mulher e que isso não o faria menos gente. Ninguém pede para nascer, muito menos para nascer homem ou mulher, branco, rico, cristão, brasileiro, corinthiano.

Já está tudo errado aí, mas o que mais me choca e me assusta é que tudo isso foi obra de um cara que quis dar isso de presente para o irmão mais novo. Agora estupro é presente. O que houve com o mundo para chegarmos nisso, num ponto em que estuprar 6 mulheres é um presente para alguém querido?

Apesar de saber que vivemos em uma sociedade machista, que naturaliza o estupro, nunca deixarei de me chocar com crimes tão cruéis como esse, eu não quero acreditar que 10 homens normais (nada de tarados psicopatas desconhecidos em becos escuros), amigos e familiares das vítimas, se sentiram tão merecedores de seus corpos que planejaram os estupros como “presente” de aniversário.

Confiando na amizade ou no amor dos laços de sangue, as vítimas não tomam “precauções” contra esses estupradores. O caso de Queimadas foi um exemplo extremo, brutal, dessa lógica. Mas estupros e abusos partindo de conhecidos infelizmente acontecem a todo momento, em qualquer lugar.

É muito comum que mulheres vítimas de estupro sejam consideradas como que “culpadas” pelo que lhes aconteceu. Por outro lado há uma noção errônea de que o homem que estupra faz isso por sentir um “desejo incontrolável”. Este caso tem características que deixam muito claro que não se trata de nenhuma coisa nem outra.

Não se passa um só dia sem que os jornais noticiem mais um femicídio. Sem contar todos aqueles que não são divulgados, as violências que não matam mas resultam em profundos ferimentos físicos e psicológicos, o exercício do poder tirânico de subjugar as mulheres moral, econômica, psicológica e fisicamente.

Uma sociedade que aplaude uma piada de estupro, culpabiliza a mulher quando estuprada por causa de seu comportamento sexual e suas roupas, uma sociedade que vê o estupro como um vacilo da mulher e uma oportunidade para o homem é uma sociedade que produz crimes bárbaros, mas toda essa barbárie não é fruto de um monstro ou de um animal. É fruto de um ser humano que conhecia as vítimas e que agiu como se as mulheres fossem apenas meros objetos.

Enquanto isso a gente se arrepia ao pensar em mulheres sendo amarradas, vendadas, amordaçadas e estupradas em uma festa. De caso pensado. Ok, eles estão presos. A delegada que investiga o caso parece estar cumprindo seu papel lindamente. E as moças que sobreviveram? Como fica a vida delas?

Com frequência inacreditável, ouve-se coisas como: “se ela não fosse tão vadia”, ou “se ela não ficasse galinhando e se alisando”, ou “com uma roupa daquelas com o cú de fora”, ou “tá na hora de pegar a bitchs”, ou “deu mole, eu pego mesmo”. Isso sai da boca de homens e mulheres e essas acrescentam: “porque se ela se desse ao respeito”, com a mão no coração e olhando o céu, como cantando um hino.

quando uma poeta se cala, tudo o mais está morto. pois língua é a linha, lugar onde me fortaleço, trincheira de escaramuças entremeadas de estupros e navalhadas escondidas na liga. onde atraio teus sonhos mais azuis celestes e os transformo em verdades.

A primeira lembrança que me veio à mente ao ler as notícias do terrível caso dos estupros coletivos como presente de aniversário em Queimadas, Paraíba, foi um episódio que poucos sabem, porque não foi noticiado. Aconteceu, de verdade, há três anos e meio. Uma blogueira, depois de um mês saindo com um carinha que conheceu pela internet, aceitou o convite de ir com ele pra um churrasco.

Isabela e Michele foram assassinadas por terem reconhecido os agressores após o estupro.

Mulheres em choque. Este é o único jeito de descrever as nossas reações ao estupro coletivo que aconteceu na cidade de Queimadas, Paraíba, no dia 12 de fevereiro. Se o mundo ainda não acabou, por favor, encerrem as atividades agora.

Vivemos numa sociedade que enxerga o estupro como nada mais do que sexo. Estupro não é visto como ódio às mulheres, nem como violência. É visto como um pequeno descontrole, algo puraramente biológico (é o instinto do macho que o leva a isso! –- se eu dissesse algo assim eu seria misândrica, mas como são os homens que falam, tudo bem), e as mulheres não perdem muito no processo, é só sexo, não tira pedaço.

Muito se fala em como evitar ser estuprada. A gente recebe conselhos pra evitar locais ermos, não falar com desconhecidos ou não usar a roupa tal. Mas nada disso impede um estupro. A única maneira de evitar o estupro é simples: Homens, não estuprem. Simplesmente não. Se a moça está bêbada, não a estuprem. Se ela está de saia curta, não a estupre. Em nenhuma circunstância o estupro é certo, justificável ou aceitável.

Aí você me pergunta o que essas cenas tem em comum: pois na minha cabeça, julgue você exagerada ou não, elas tem em comum essa coisa de não se enxergar no outro. Aqueles homens não enxergavam a si mesmos naquelas mulheres e então elas se tornaram objetos, coisas a serem usadas para seu prazer.

Reclamar depois que um grupo de jovens (e menores de idade) entra numa festa e estupra várias mulheres e mata duas, também é fácil. Qual o papel dos pais, escola e sociedade neste resultado nefasto? Qual o tamanho do machismo e da irreponsabilidade que passamos para a formação dessas pessoas ainda na infância, em casa, na sociedade e na escola?

Ensinando aos nossos filhos que o corpo das pessoas é só delas. Que ninguém, nem pai, nem mãe, nem professor, nem namorado, nem marido – pode bater, pode machucar, pode passar a mão na bunda de outra pessoa se ela não quiser. “Querer” não é usar decote, não é usar saia curta, calça apertada, salto alto, maquiagem. Que “querer” é paquera, é diversão, é dar risada, é sorrir.

Conversando com um amigo sobre o caso, ele acredita que além da punição, a sociedade deveria fazer esses CRIMINOSOS ressignificarem seus crimes. Não sei se continuo acreditando nessa possibilidade. Estou me tornando meio cética quanto a evolução da humanidade. Preciso de tempo para absorver mais essa barbárie e reavaliar conceitos.

Felizmente eles foram desmascarados e ao todo 9 foram detidos, sendo que 3 são adolescentes. Os seis adultos presos podem ser autuados por homicídio qualificado, roubo, sequestro, formação de quadrilha e porte ilegal de arma. Eu estou completamente chocada, indignada, perplexa. E eu realmente espero que esses monstros sejam julgados e condenados aos 30 anos de prisão permitidos pela legislação brasileira.

Como mulher, minha revolta atinge graus extremos. Como algo assim pode acontecer? Não há mais amor ao próximo e nem bom senso? Entretanto, a brutalidade do crime não foi tratada à altura. Nós que moramos na Paraíba sabemos que o presídio para o qual os bandidos foram transferidos, o PB1 (presídio de segurança máxima), localizado no litoral norte, é inadequado para eles.

A nossa sociedade está doente, não cuidade si, de suas crianças, se alimenta de aparências e consumo. A mulher é tratada como mercadoria. Os auto-intitulados “machos” acham que nos possuem. O Ter não pode ser mais importante que o Ser.

E realmente, faz bem pouco tempo que mulheres se tornaram gente. Já fomos coisas, objetos em propriedade do marido, do pai, ou do senhor de escravos. A vida – inclusive sexual – das mulheres estava vinculada à vontade desses homens. A lei mudou, mulheres hoje são gente e têm direitos, mas ainda brigamos pra não sermos mais tratadas como coisas.

Eles não o fizeram por serem psicopatas nem por serem bandidos. Eles são homens que acham certo o que fizeram pois não veem mulheres como pessoas. São homens que acham que um estupro é uma oportunidade, ou que isso não é o fim do mundo, nem tira pedaço de ninguém. São homens que acham que as mulheres os provocaram e por isso levaram o que mereceram.

A opressão sobre as mulheres é estrutural, não tenho a menor dúvida sobre isso. Já está edificada sobre tantas crenças e preconceitos que alguém chega mesmo a pensar que pode dar mulheres como presente. Alguém realmente deu essas mulheres como presente. O que se passa na cabeça de uma pessoa pra achar que tem esse poder, pra achar que pode fazer isso e para, de fato, fazê-lo?

Imaginam o sofrimento que essas mulheres vivenciaram momentos antes de terem suas vidas ceifadas por covardes nojentos? Imaginam como está a família delas? Imaginam como irão viver, de hoje em diante, as mulheres que sobreviveram? Será que estes criminosos serão punidos efetivamente?

O ponto principal é que duas vidas foram tiradas e mais quatro violadas. Ninguém faz ideia de como um estupro deixa marcas inimagináveis e inesquecíveis na cabeça de uma pessoa. O nojo, a dor, a humilhação, a depressão.

Dos detalhes sórdidos dessa história de terror, dois deles chamam mais a atenção. O fato de não ter entre os dez homens nenhum que achasse errado estuprar mulheres por diversão e o segundo é o relato das mulheres de que eles riam com o choro e o desespero das vítimas.

Não considero nada radical julgar a periculosidade de qualquer homem de acordo com a quantidade de machismo que ele deixe transparecer em sua fala, em seus modos e, sobretudo, em suas ideologias. Um homem que passa cantadas reificantes em mulheres na rua está inebriado no mesmo sistema de valores que esses cidadãos de Queimadas, porque ambos partem do pressuposto de que o corpo da mulher é um bem público, do qual ele dispõe para a obtenção de seu prazer másculo.

O fato de que a sociedade trata os estupradores como psicopatas, monstros e indivíduos que não pertencem à sociedade é, no mínimo, hipócrita. Os homens que violam e violentam os corpos das mulheres estão apenas reproduzindo os padrões disseminados pela sociedade. Padrões que colocam os nossos corpos como mercadorias, objetos de desejo, sem que nós sejamos protagonistas desse desejo. Sempre representadas como incitadoras da violência, como se fosse nossa vontade não sermos donas de nós mesmas e nossos corpos sendo apenas objetos que estão lá para satisfazer vontades de outros, sonhos de outros, vidas de outros.

Dois aspectos do caso me chamaram muita atenção: dos homens que não não participaram de forma efetiva, nada fizeram, não as defenderam, não denunciaram. A outra coisa foi que duas mulheres que também estavam na festa foram separadas das outras e não foram tocadas. Essas eram as namoradas dos dois mandantes do crime.

É triste quando esquecemos que as pessoas são pessoas e passamos a tratá-las como objeto de diversão. E não, o discurso de que a sociedade é culpada não justifica. Para além de tudo temos a idéia de certo e errado, do que machuca e faz sofrer, que, obviamente, não faz parte da realidade destes rapazes.

O plano não saiu como o previsto. Durante as violações sexuais, Michele, 29, e Isabela, 27, (duas das mulheres que foram agredidas) lutaram com os estupradores e os reconheceram: eram seus amigos e, pasmem, o ex cunhado de Isabela e o aniversariante. Por terem reconhecido os agressores, foram levadas da festa e mortas em seguida.

Resolvi me juntar ao movimento, porque não entendo como um caso desses pode ser tão ignorado pelas pessoas. Na verdade tenho a sensação de que, se não fosse pela morte de duas das mulheres, o caso não teria chegado nem aos portais da internet. Como as pessoas podem baixar batido um caso desses?

Isso quer dizer o quê? Que sou especial? Ou que as outras mulheres inventam e se vitimizam? Não. Não. Não. Isso quer dizer que é possível. Que não são “os homens” que estupram “as mulheres”, que não há uma lei natural que determine que “isso sempre aconteceu e sempre vai acontecer”. Isso quer dizer que não é um fenômeno imutável sobre o qual devemos lamentar em voz baixa e rezar para que não aconteça com ninguém que a gente conhece.

Sabemos que vivemos numa sociedade em que as mulheres ainda são vistas como posse. Vivemos numa sociedade que ensina mulheres e cobra delas que não sejam estupradas, ao invés de dizer aos homens: não estupre! O estupro é um crime de poder e humilhação, de violação máxima do corpo. Sabemos de tudo isso. Porém, é espantoso que dez pessoas decidam promover um estupro coletivo.

http://blogueirasfeministas.com/2012/02/blogagem-coletiva-repudio-ao-caso-de-estupro-e-assassinato-como-presente-de-aniversario/

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Polícia indicia 10 por estupro coletivo e homicídios em Queimadas, PB

Sete adultos e três adolescentes foram todos apontados como participantes. Para delegada, todos os detidos sabiam que estupros iriam acontecer.
A Polícia Civil da Paraíba indiciou por estupro e homicídio os dez suspeitos de envolvimento nos abusos sexuais de cinco mulheres e mortes de duas ocorridos há dez dias em uma festa em Queimadas, município do Agreste paraibano. A delegada de Homicídios de Campina Grande, Cassandra Duarte, explicou nesta quarta-feira (22) que todos foram indiciados porque sabiam que os estupros iriam acontecer e participaram do ato. O caso foi tema de uma reportagem especial do Fantástico no domingo (19).

Segundo ela, o inquérito foi concluído e será encaminhado ainda na tarde desta quarta-feira ao fórum de Queimadas. Depois que o documento for entregue à Justiça, o Ministério Público Estadual deverá decidir se oferece denúncia contra os sete adultos que estão presos e os três adolescentes detidos.

Na sexta-feira (17), o promotor Márcio Teixeira fez uma audiência com os três menores de idade para esclarecer a participação de cada um no crime e declarou que eles podem responder por três crimes: homicídio, estupro e porte ilegal de arma. Segundo ele, todos os adolescentes confessaram envolvimento no crime e nos atos sexuais.

Já entre os adultos presos, a Polícia Civil divulgou que dois irmãos são apontados como mentores dos estupros. Um deles confessou apenas ter estuprado as mulheres presentes na festa e diz não saber quem matou as duas mulheres. O outro, segundo Cassandra Duarte, nega toda a história relatada pelos demais presos e mantém a primeira versão de que sua casa teria sido invadida por assaltantes durante a festa e que os supostos criminosos teriam violentado as convidadas.

Os três adolescentes estão abrigados provisoriamente no Lar do Garoto, em Lagoa Seca. Já os sete adutos estão detidos no presídio de segurança máxima PB1, em João Pessoa. Depois de passar um período de cinco dias em reconhecimento em uma cela isolada, eles foram levados na segunda-feira para uma cela especial, mas ainda não estão em convívio com os demais presos.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), apenas após autorização judicial eles poderão ser encaminhados às celas comuns. A decisão ainda não saiu devido ao recesso do Tribunal de Justiça durante o Carnaval.

Fonte:http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=114837

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Michel Teló em versão portuguesa anticrise e mais politizada

Para ajudar o coro à dizer não às medidas do governo, os portugueses “pediram emprestado” o sucesso de Michel Teló, Ai, se eu te pego, e fizeram a versão anticrise e mais politizada Ai, não nos calam.

A versão da música “Ai se eu te pego” é dedicada à luta contra o desemprego, a precariedade, os baixos salários e a política de austeridade que recai de forma pesada sobre os trabalhadores deixando intocadas as fortunas e o capital.
O vídeo apela também à participação na grande manifestação de dia 11 de Fevereiro no Terreiro do Paço, em Lisboa, organizada pela CGTP .

Letra:
Basta! Já chega, que o capital nos roube.
Ai, não nos calam! Ai, não, não nos calam!

Salários de miséria, assim não há justiça.
Ai, não nos calam! Ai, não, não nos calam!

Sábado na manif,
A malta começou a gritar
E não há coisa mais linda
Que a coragem do povo a lutar.

Basta! Já chega, que o capital nos roube.
Ai, não nos calam! Ai, não, não nos calam!

Recibos, desemprego, assim não há justiça.
Ai, não nos calam! Ai, não, não nos calam!

Sábado na manif,
A malta começou a gritar
E não há coisa mais linda
Que a coragem do povo a lutar.

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O Apolítico Partido da Cultura, é possível?

Comecei a buscar entender as propostas do PCult, Partido da Cultura, até o momento acredito que alguns pontos precisam ser cotejados, questionados, debatidos e dialogados para que consigamos tecer uma rede conceitual capaz de dar conta das motivações e preceitos que envolvem a articulação deste partido para tanto escolhi algumas falas realizadas em Pelotas que podem ser encontradas no referencial bibliográfico ao final do texto:
1- “o principal fundamento do Partido da Cultura, o qual não configura um partido propriamente dito: “É um movimento suprapartidário, acionador de agentes e partidos políticos que ocupam funções públicas”.
Creio que utilizar o conceito de Partido para uma construção suprapartidária é um equívoco, pois traz em si o conceito da parte, que com outras partes compõe o todo. Outra questão é no que tange ao fundamento, “de ser acionador de agentes e partidos políticos que ocupam função pública”, com essa função o PCult parece mais uma instituição que busca aproximar-se dos mandatos majoritários, dos gestores das políticas públicas, o que me parece preocupante por iniciar com o fundamente com a pirâmide invertida, pois coloca o Estado e seu poder de financiamento no topo da pirâmide ao invés de colocar o processo de tomada de decisão dos coletivos, grupos e participantes como demandantes das ações culturais.
Ao fazer isso parece já ter os objetivos claros, captar o recurso, sem antes dialogar e debater um projeto estratégico que fundamente a captação de recursos e que empodere a população e os agentes culturais, não só economicamente, mas politicamente, construindo uma estrutura de representatividade direta dentro do Partido Supra Partidário, que lhe garanta não ficar refém da política de qualquer partido a que se ligue, ou dirigente captador de recursos.
2- “Políticas públicas não devem estar vinculadas a políticas partidárias e a cultura não pode estar à mercê de um guarda-chuva partidário. Como o PCult não possui comprometimento com grupos políticos, a busca pela solidificação de políticas públicas é tida como uma das prioridades do Partido da Cultura. “Estamos caminhando rumo a conferências nacionais e redes colaborativas para não perder o que está sendo produzido”, diz Manoval”.
Aqui encontro a maior contradição e a que mais me preocupa, o fato de se colocar o PCult como apolítico, uma vez que todos tem grupos políticos e o PCult não é um grupo político? Como conseguiu a façanha de ser apolítico? Essa neutralidade que lhe permite trabalhar com PSDB, DEM, PT, PTB entre outros partidos não é a decisão política de um grupo por acaso?
Outra questão é sobre as políticas públicas, elas dependem hoje do interesse político dos governantes, qual é a estratégia para que essas políticas sejam demandas pela base, pelos grupos (que são políticos) e que não estão no poder?
A parte mais inocente desse discurso é a afirmação de que o PCult não tem comprometimento com grupos políticos, ai amigos gostaria só de fazer uma pergunta, quem tem financiado as ações dos grupos que compõe o PCult? a resposta é os grupos com quem seus integrantes tem compromisso, político e financeiro.
Estas são as minhas preocupações.

Autoria: Rádio Cirandeira

Referencial Bibliográfico: http://macondocoletivo.wordpress.com/2011/05/11/mesa-sobre-o-pcult-no-festivalsatolepcircus/

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Sete teses sobre as ocupações de 2011

forum

Sete teses sobre as ocupações de 2011 | Idelber Avelar | Revista Fórum

Um ano atrás, quem imaginaria que uma multidão insistente e pacífica, sem quaisquer laços com a Irmandade Muçulmana, retornaria à Praça Tahrir uma e outra vez, durante semanas, até derrubar o ditador egípcio Hosni Mubarak? Quem teria previsto que um movimento de ocupação popular, de contornos antineoliberais e, em alguns momentos, anticapitalistas, varreria os EUA de leste a oeste, deixando estupefatos e sem reação tanto os dois partidos políticos como os comentaristas da mídia corporativa? Quem suporia que a profundidade da crise e a mobilização popular derrubariam Primeiros-Ministros europeus, como na Grécia e na Itália? Quem imaginaria 2011?

1. As ocupações de 2011 enterram mais uma vez as teleologias da História. A última vez que ouvimos falar que a História havia chegado a seu ponto final foi nos anos 90. Francis Fukuyama tomou a queda do muro de Berlim como comprovação de que a teleologia da História—ou seja, a concepção que a entende como dirigindo-se a um fim pré-estabelecido—havia se realizado, com a vitória definitiva do capitalismo liberal, que então só necessitaria ajustes em seu interior, sem qualquer outra ameaça externa. Não foi uma revolução socialista, mas um atentado terrorista em Nova York que se encarregou de pôr a pá de cal nessa celebração otimista. A década que se seguiu ao atentado foi marcada pelo conceito de guerra sem fim: os EUA tentaram rearticular sua hegemonia em declínio através da construção de um inimigo onipresente, virtual e despersonalizado, e nessa toada viveu-se a década 2001-2011. Quando mais parecia que o binômio “imperialismo dos EUA x fundamentalismo islamista” se manteria como a polarização definidora da política mundial, emergem em todo o mundo árabe ocupações populares sem relação com o islamismo e, no Ocidente, sem qualquer relação com o morno antagonismo que opõe liberais ou social-democratas aos conservadores da direita. As ocupações de 2011 reafirmam a condição inacabada da História, sua natureza radicalmente pendente, seu caráter de puro devir.

2. As ocupações 2011 apontam sinais de falência generalizada dos partidos políticos. Talvez não haja fio unificador mais visível em todas as revoltas (Tunísia, Egito, EUA, Grécia, Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, Bahrein, Iêmen, Síria, Argélia etc.) que seu caráter autônomo em relação às coletividades políticas já sancionadas, nos casos europeus e estadunidense, pelas democracias representativas ou, no caso do mundo árabe, pelas autocracias militares ou monárquicas. Aqui, a Espanha é emblemática: sob um governo social-democrata, liderado por José Luis Zapatero, um Primeiro-Ministro de considerável prestígio no exterior, uma multidão de indignados fez ouvir clara e em bom som a mensagem de que nem PP, o Partido Popular, de direita e franquista, nem o PSOE, o Partido Socialista Operário Espanhol, de Zapatero, os representavam. Não se trata só de que estes movimentos são independentes dos partidos. Trata-se de uma ruptura muito mais profunda, através da qual as multidões (des)organizadas denunciam a perda da capacidade destes partidos de representarem os desejos políticos reais que se articulam na pólis. As ocupações não se levantam apenas contra as ditaduras e o autoritarismo, no mundo árabe, e o arrocho salarial e a financeirização da vida, no Ocidente, mas também, em ambos os espaços, contra as estruturas supostamente representativas da política. Neste contexto, não faz sentido responsabilizar os indignados da Espanha pela vitória do PP nas últimas eleições, posto que seria bastante difícil encontrar grande diferença entre a política econômica aplicada por Zapatero e aquela imposta anteriormente por Aznar.

3. As ocupações 2011 são uma crítica da representação e resgatam uma memória dos oprimidos: a democracia direta. A autonomia popular reunida na Plaza del Sol, em Liberty Plaza e em dezenas de outras praças públicas ao redor do Ocidente denuncia o caráter não-democrático da democracia liberal. A financeirização do mundo também molda os partidos políticos, e nenhum exemplo é mais eloquente que os EUA: 80% dos cidadãos estadunidenses desaprovam o Congresso de seu país, mas não podem renová-lo, porque a legislação eleitoral é construída de tal forma que só os Partidos Democrata e Republicano sobrevivem—ambos, o segundo um pouco mais, cativos dos interesses do grande capital e, muito especialmente, do capital financeiro. As ocupações 2011 mostram que a falência da democracia representativa é filha da financeirização do mundo. A disseminada desilusão com a administração Obama, por exemplo, não deu lugar a um crescimento do Partido Republicano nem à formação de um terceiro partido (há dezenas de “terceiros partidos” nos EUA, desprovidos da possibilidade de participação no processo político real). Essa desilusão deu lugar ao Ocupar Wall Street. A resistência do movimento às regras estabelecidas no jogo eleitoral e a preferência pela construção da democracia direta lembra muito mais a Comuna de Paris ou Maio de 1968 que qualquer outro movimento acoplado à maquinaria de representação política da democracia institucional. Em assembleias, passeatas, nos comoventes microfones humanos do Ocupar Wall Street (saída encontrada para contornar a proibição de microfones nas praças), nas oficinas solidárias oferecidas pelos ocupantes, encontra-se em gestação outro conceito de democracia, cujo atributo principal, sem dúvida, é este: ele se reinventa permanentemente. Ninguém sabe no que vai dar.

4. As ocupações 2011 demonstram que nenhuma luta popular genuína pode se limitar hoje a fronteiras nacionais. A quebra do capitalismo europeu transforma o aparato eleitoral de suas nações em pouco mais que uma escolha do comissário que irá obedecer as ordens do capital financeiro. Num contexto de integração monetária continental e integração comercial global, em que a manipulação de títulos de dívida e o fluxo de capitais são capazes de derrubar uma economia europeia em questão de dias, desapareceu a diferença entre governos conservadores e social-democratas, pois praticamente desapareceu a margem de manobra destes últimos. Os social-democratas e socialistas podem ainda manter uma retórica mais progressista, alguma memória de sua época de representantes da classe trabalhadora e disposição a um “diálogo” (sempre infrutífero) não vistas na direita, mas o resultado final, especialmente na política econômica, é o mesmo. Nas ocupações de 2011, por boas razões, têm sido minoritárias as vozes que acreditam numa rearticulação da potência autônoma da multidão com o aparato político nacional. Talvez desde a I Internacional Comunista ou, no máximo, a onda de revoluções abortadas na Europa durante o período da III Internacional, não se sentia tão nitidamente a necessidade de um processo revolucionário global, que escape do dilema entre ceder às limitações impostas pelo capital ao Estado-Nação e abdicar de tomar o poder para permanecer na pura negação. A saída para esse dilema, como todas as outras questões estratégicas que acossam as ocupações, continua pendente, de resolução não vislumbrada. Mas é nítida a consciência de que qualquer adequação aos limites do Estado-Nação não satisfará a energia transformadora já desatada.

5. As ocupações de 2011 enterram de vez o mito da democracia liberal tolerante com o dissenso. O exemplo definitivo aqui são os EUA, justamente porque o “Ocupar Wall Street”, ao contrário, por exemplo, da revolta de excluídos na Inglaterra, tem sido um movimento pacífico. Mesmo assim, a repressão policial tem se manifestado de forma assombrosa. Em meados de novembro, correu o mundo a imagem de um policial de Davis, na Califórnia, lançando spray de pimenta sobre um grupo de estudantes sentados de braços dados na área central do campus. O policial tinha o semblante de quem dedetiza uma nuvem de insetos. Em Seattle, a jovem Jennifer Fox foi espancada por policiais até sofrer um aborto. Ainda em Seattle, uma senhora de 84 anos, Dorli Rainey, recebeu jatos de spray de pimenta na cara até não conseguir se mover sem ajuda de companheiros de ocupação. Em Nova York, a polícia deliberadamente orientou os manifestantes a se dirigirem à Ponte do Brooklyn para ali prendê-los. O acampamento da Liberty Plaza foi acossado por faróis da polícia durante semanas, piscando ao longo da noite para impedi-los de dormir. Veteranos de guerra foram espancados pela polícia de Boston ao se interporem entre ela e os manifestantes, tentando defendê-los de uma desocupação que violava grosseiramente a primeira emenda da Constituição. São centenas de presos em todo o país, todos eles cidadãos pacíficos que exerciam um direito previsto em lei. Só com grande ingenuidade ou má fé seria possível defender hoje a ideia de que a Primeira Emenda significa algo quando se trata de mobilização popular anticapitalista nos EUA.

6. As ocupações de 2011 realçam o papel das novas tecnologias e o caráter insubstituível da rebelião presencial. Já se transformou em senso comum a ideia de que as novas tecnologias digitais e redes como o Facebook e o Twitter cumprem papel central nas novas revoltas. Isso é correto, evidentemente. Na rebelião de consumidores excluídos na Inglaterra, todo o agendamento de levantes se deu pelo comunicador do Blackberry (BBM), enquanto que, nos EUA e no Egito, o Twitter e o Facebook multiplicavam os canais de circulação do protesto. Não se trata simplesmente de que novas tecnologias se transformam em veículos de comunicação comparáveis ao telefone ou ao telégrafo privilegiados em outras eras. Os novos trabalhadores são, eles mesmos, peças de um capitalismo cognitivo, no qual a produção de lucro passa pelo valor imaterial da mercadoria produzida: patentes, propriedade intelectual, dívida sem materialidade sob a forma de puros títulos, teologia do copyright. Eis aí os termos decisivos através dos quais se articula a dominação capitalista hoje. Ou seja, o próprio capitalismo financeiro contra o qual se rebelam as multidões de 2011 tem como atributo a imaterialidade reproduzível das formas de comunicação usadas pelos manifestantes. É exatamente por isso que nada é mais ingênuo que celebrar as novas tecnologias digitais como instrumentos emancipatórios em si. Foi a rebelião presencial que desatou, tanto nos EUA como na Inglaterra e no Egito, a repressão aos fluxos digitais, com cancelamento de contas, bloqueio de circuitos e censura a mensagens subversivas. Justamente porque as ágoras digitais e físicas não estão separadas—ou seja, porque elas compõem a teia do capitalismo cognitivo–, não tem sentido tecer loas ao poder liberador das novas tecnologias sem reconhecer que o inimigo acusou o golpe precisamente porque o povo revoltoso ocupou a praça. Nenhuma ocupação da praça acontecerá sem fluxo de energia revolucionária digital. Nenhum trabalho de rede substituirá a ocupação da praça.

7. As ocupações de 2011 revelam que a luta pelo cancelamento da dívida está para o capitalismo cognitivo assim como a luta pelo salário estava para o capitalismo industrial. Esta tese do autonomista italiano Gigi Roggero vai, me parece, ao centro da questão. Em todas as revoltas do mundo ocidental, tanto nos EUA como na Europa, as multidões rebeladas vão se dando conta de que nenhum aumento salarial ou mesmo garantia de emprego significará muito num contexto em que a manipulação dos títulos da dívida e a especulação com os capitais migrantes têm o poder de colocar toda uma economia nacional de joelhos. Passamos do que Michel Foucault chamou de sociedade disciplinar—aquele momento moderno no qual grandes aparatos (igreja, escola, fábrica, exército, hospital, prisão) constituíam um sujeito sob perene vigilância—àquilo que Gilles Deleuze chamaria de sociedade de controle, na qual a dominação já se dá através de formas móveis, imateriais, virtuais, em constante deslocamento, para as quais o modelo já não é a prisão (embora esta continue a cumprir o seu papel), mas a corporação. O capitalismo da era da sociedade disciplinar se baseou na produção e na propriedade. No capitalismo da sociedade de controle, a produção já foi exportada para alhures (China, Tailândia, Terceiro Mundo), enquanto o capital se dedica a vender serviços e comprar ações. A sociedade disciplinar era o espaço do sujeito vigiado. A sociedade de controle é o espaço do sujeitoendividado. A chamada crise das hipotecas nos EUA não foi o resultado de um erro tangencial ou lateral ao sistema. Foi a expressão da lógica mesma, mais profunda, desse sistema, que só pode se reproduzir através da teia da dívida imaterial, impagável. Por isso, as massas autônomas, de Madri a Nova York, do Cairo a Atenas, vão se dando conta, no interior da luta, de que se reafirma um princípio revolucionário por excelência: não se pode mudar nada sem, antes, mudar tudo. Esse axioma marxiano é, hoje, mais verdadeiro que na época de Marx.

* Agradeço a Giuseppe CoccoBruno Cava e Alexandre Nodari por referências bibliográficas e interlocução na preparação deste artigo. Ele é parte integrante da edição 105 da Revista Fórum.

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Secretaria da Mulher dá assistência às mulheres vítimas de estupro coletivo em Queimadas

O suporte que for necessário às mulheres vítimas do estupro coletivo que ocorreu na cidade de Queimadas, assim como às suas famílias, será dado pela Secretaria de Estado da Mulher e Diversidade Humana (Semdh). A gerente operacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, Cândida Magalhães, seguiu para a cidade na manhã de quarta-feira (15), onde está  mobilizado o suporte de apoio às famílias.
A articulação está sendo feita a partir do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).  ”Estamos à disposição para auxiliar na proteção e oferecer apoio psicológico às cidadãs que foram vítimas desse crime brutal, e também às suas famílias. Nosso Centro de Referência da Mulher e Casa Abrigo estará aberto para elas. Também conversamos com o prefeito de Queimadas, José Carlos de Sousa Rego, para reiterar nossa participação nesse momento extremamente difícil para a população do município”, ressaltou a titular da Semdh, Iraê Lucena.
Para a secretária executiva Gilberta Soares, o caso é um episódio de grave violação dos direitos humanos das mulheres e expõe o machismo que trata as mulheres como objeto de exploração. “A punição dos agressores, além de fazer justiça diante da dor das vítimas e familiares, colabora para coibir esse tipo de prática, comum na cultura machista”, disse.
O caso – Os crimes aconteceram na madrugada de sábado (11), na residência em que moravam os irmãos Luciano e Eduardo dos Santos, acusados de terem planejado os estupros e participado de dois homicídios em Queimadas, a 10 km de Campina Grande.
De acordo com a polícia, em depoimento eles revelaram que uma festa de aniversário foi montada com o intuito de atrair seis mulheres ao local do crime. Para realizar seu intuito, Eduardo teria combinado com o irmão, e pelo menos mais seis homens, um suposto assalto. Durante a festa, um grupo de quatro homens encapuzados e mascarados invadiram o local e seis das dez mulheres que estavam na casa foram levadas para um dos quartos pelo grupo (com a ajuda de mais dois homens que já estariam na festa), onde foram estupradas.
Depois que as vítimas foram trancadas no quarto, Luciano e o irmão também teriam ido até o quarto para participar do estupro. A professora Isabela Pajuçara, 28 anos, e a secretária Michelle Domingos, 29, teriam reconhecido os irmãos e foram assassinadas a tiros. Na segunda-feira (13), uma equipe formada por cerca de 60 policiais civis e militares de Campina Grande prendeu nove homens acusados. Além dos irmãos que teriam planejado o crime, foram presos Luan Barbosa do Nascimento, Jacó de Sousa, Everton da Silva Santos e Diego Rego Domingues, que foram autuados em flagrante e encaminhados ao presídio do Serrotão, em Campina Grande.
Também foram apreendidos três adolescentes. Com o grupo, a polícia encontrou uma pistola .40 com vasta munição, uma espingarda calibre 12, um revólver calibre 38 e uma pistola de pressão. O crime está sendo investigado pela delegada titular de Crimes contra a Pessoa (Delegacia de Homicídios), Cassandra Maria Duarte Guimarães.

 

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