Ensino médio no Estado de São Paulo sem sociologia, nem filosofia

Ensino médio no Estado de São Paulo sem sociologia, nem filosofia

Dois mil professores podem ficar sem emprego na rede estadual

Professores da rede estadual de ensino de São Paulo temem perder o emprego com a decisão do governo José Serra em eliminar das grades curriculares do Ensino Médio as disciplinas de sociologia e filosofia. Segundo a secretária regional da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Cecília Helena Augusto, cerca de 2 mil professores estarão desempregados.

“O que estão fazendo é um descaso com a educação, porque essas matérias, que levam questionamentos em classe, são importantes”.

Em São Paulo, o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro, disse que a entidade recebeu a notícia em dezembro e entrou na Justiça com o pedido de uma liminar, para que as disciplinas fizessem parte do Ensino Médio das escolas da rede.

Segundo Cecília, a Apeoesp foi informada ontem que a liminar foi indeferida, pela Vara da Fazenda Pública. “Agora teremos que recorrer em Brasília e isso pode demorar, não sabemos quanto tempo”, disse a sindicalista, indignada.

Para o professor e sociólogo, Ruy Queiroz Amorim, a decisão afeta o ensino dos alunos e na formação de novos cidadãos. “Queremos formar cidadãos com consciência plena e que buscam os seus direitos”, completa.

ivanvalente.jpgDiscurso do Deputado Ivan Valente (PSOL)
14/2/2008
Pela obrigatoriedade da sociologia no ensino médio no estado de São Paulo

– Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Congresso Nacional aprovou lei que dispõe sobre a obrigatoriedade das disciplinas de filosofia e sociologia no ensino médio, mas a matéria foi vetada pelo “príncipe dos sociólogos”, Fernando Henrique Cardoso.

Mais tarde, o Conselho Nacional de Educação deu nova interpretação à legislação e determinou que todos os Estados do País introduzissem a disciplina sociologia nos seus currículos. E São Paulo é o único Estado da Federação que baixou uma norma — a Resolução nº 92/07, da Secretaria de Educação do Estado — , vetando a obrigatoriedade do ensino da disciplina sociologia aos estudantes de escolas públicas. A propósito, a Secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Castro, é uma socióloga.

Sr. Presidente, solicito que seja dado como lido o Manifesto pela Obrigatoriedade da Sociologia no Ensino Médio do Estado de São Paulo, aprovado por sociólogos daquele Estado. O documento exige que seja cumprido, no Estado de São Paulo, o que é a praxe nacional.

Manifesto pela obrigatoriedade da sociologia no ensino médio no estado de São Paulo

A Resolução 92/07 da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE) vetou aos estudantes das escolas públicas de Ensino Médio a possibilidade de estudarem a disciplina de Sociologia. A Resolução caminha na contramão da medida aprovada no Conselho Nacional de Educação e sancionada pelo ministro da Educação Fernando Haddad, que em 11 de agosto de 2006 determinou, através da Resolução 04/06, que Sociologia e Filosofia voltassem a compor a grade curricular das escolas públicas e privadas do Brasil já em 2008. Todos os outros 25 Estados e o Distrito Federal acataram essa determinação do CNE.

A SEE/SP está em desacordo com os rumos gerais da educação brasileira, que busca superar os anos de tirania e arbítrio democratizando o ensino, promovendo a cidadania e o espírito critico, tarefa esta que a Sociologia tanto como disciplina especializada como transversalmente ligada a um amplo campo temático (história social, política, sociologia econômica, direitos humanos, profissões, formações identitárias e subjetividade, relações sociais e movimentos sociais entre outros), é capaz de promover por meio de estudos de casos, pesquisas ou de teorizações gerais.

Ao privar os estudantes do Estado de São Paulo do ensino de Sociologia, a SEE/SP, a Secretária e Professora Maria Helena Guimarães de Castro que é socióloga e o Governador José Serra discriminam e negam à juventude paulista um ensino igual em ofertas, qualidades e direitos ao dos demais jovens brasileiros.

Solicitamos assim, a modificação da Resolução 92/07 de tal forma que seja garantido o ensino de Sociologia como componente da grade curricular no Estado de São Paulo como meio de promover a cidadania e superar a discriminação.

São Paulo, 7 de fevereiro de 2008.

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