“Quem tá preso, tá preso!”

“Quem tá preso tá preso” dizia a patroa a dona Clara empregada doméstica moradora de Samambaia periferia do Distrito Federal toda vez que era dia de visita na PAPUDA. Mãe e trabalhadora dedicada queria ver seu filho, que como 98% dos encarcerados era negro, pobre e socialmente desamparado.

Presídio da Papuda

Presídio da Papuda

Por hora deixemos para a história que explique e apresente as motivações de encarcerar militantes de esquerda sob a acusação de participação de um crime que que foi batizado de “mensalão do PT” entre outras alcunhas.

A prisão de tantos “comunistas”, “socialistas” e “Socialdemocratas” chamados de “mensaleiros” só pode ser comparada em termos de número com as prisões realizadas durante os autoritários períodos da ditadura militar, onde lembro que meu Tio Arnóbio Dorneles além de encarcerado perdeu sua patente de militar, arrasando a sua vida social, familiar, profissional e política de forma inconsertável que marca até hoje a vida de minhas amadas primas e primos.

Presidio da Ilha Grande

Presidio da Ilha Grande

O que há em comum nessas duas situações ocorridas envolvendo estas Prisões na Papuda, a princípio não parece haver conexão além do local onde são encarcerados os negros e pardos filhos das donas Claras e os militantes políticos de um governo progressista, em um momento democrático.

A primeira conexão é de classe, os políticos presos, independente da culpa ou dolo, defendem os pobres e excluídos sociais, buscando que eles através de ações e políticas públicas tenham condições de saírem da pobreza absoluta, de estudarem, de terem direito a saúde e principalmente a garantia de renda mínima.

A segunda é que no período da ditadura militar a mesma atitude era tomada pela ditadura militar no sentido de evitar que tivéssemos avanços como a reforma social, política, agrária e trabalhista proposta pelo então deposto Presidente Jango acompanhado de outros caudilhos como Brizola. Ditadura que não por coincidência foi motivo da mobilização política e provocou o exílio da maioria dos que hoje encontram-se presos como é o caso do democrata José Genuino, um dos símbolos dessa resistência em prol da democracia.

A terceira conexão é que assim como a imprensa de Carlos Lacerda criou situações para desestabilizar o governo de Getúlio Dorneles Vargas, da mesma forma que a Globo defendeu a ditadura militar chegando a ser condecorada pelos algozes do povo, agora a imprensa golpista busca colocar os presos políticos pelo STF como se fossem os únicos e exclusivos corruptos do Brasil, como sendo um “troféu” da justiça.

Além de outras conexões, as redes sociais como o facebook apresentam inumeráveis casos de “mensalões”, “anões”, “sanguessugas”, “privatarias” e outras corrupções mais antigas e que envolvem em todos os casos, representantes dos governos antidemocráticos, dos governos ditadores e dos defensores dos interesses dos adversários políticos dos governos democráticos e populares, práticas que ocorreram há muito mais tempo e que ninguém fala em processar, punir ou prender, nem os meios de comunicação nem vemos atitudes da própria justiça.

O que mais me deixa perplexo é que o executor desse processo, que alguns afirma ser retrocesso da democracia brasileira, é um negro, ministro, que parece mais defender os interesses das elites brancas, que supomos no período da escravidão estavam dando chibatada em seus ancestrais, e que hoje continuam violentando os direitos individuais dos negros na atualidade.

Por que então não ser justiceiro de todos os corruptos, dos exterminadores da juventude negra, do povo negro e pobre, dos povos indígenas massacrados e segregados sem terra e sem pão, das mulheres e crianças vitimas de violência. Por que não exigir devolução da sangria privada dos cofres públicos, por que não ocupar a imprensa contra a privatização da mídia que deveria ser democrática a serviço da sociedade, são muitos os porquês que inquietam o bravo povo brasileiro que segue a luta caminhando e cantando um coro dos indignados rebelados.

Fonte: Gazeta do Goiás, 21 de novembro de 2013, página 02

Autor: Alessandro da Silva Maia – Licenciado em Filosofia (UFSM) – Especialista em Bioética (UnB) e Especialista em Arte Educação e Novas Tecnologias (UnB).

Anúncios

Sobre mundosofismo

Somos educadores populares e acreditamos na teoria de educação freirena, este espaço se destina a comunicação popular nas mais variadas mídias e formas. Buscamos colaborar com a liberdade de expressão através da defesa absoluta da democratização da mídia, colaborando com causas e movimentos e seus protagonistas nas lutas em todas os meios inclusive através do ciberativismo em Rede Mundial de Computadores.
Esse post foi publicado em Política e marcado , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para “Quem tá preso, tá preso!”

  1. Pingback: Rádio Cirandeira Ultrapassa as 200.000 visualizações | Rádio Cirandeira

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s