Amamentar é um ato de amor, insistência e resistência

Em alusão à Semana Mundial de Aleitamento Materno, que vai de 1 a 8 de agosto, publicamos o texto abaixo para ajudar as futuras mães sobre a prática da amamentação.

Amamentar é um ato de amor, insistência e resistência

Amamentar é um ato de amor, insistência e resistência

Sempre ouvi que amamentar é um ato de amor. Sempre vi fotos em campanhas do Ministério da Saúde com lindas mulheres amamentando tranquilamente seus filhos, em quartos belamente arrumados. Bem, acontece que nem sempre você está linda, tampouco o quarto arrumado – ainda mais se, assim como eu, você não tem babá e empregada – e até chegar a essa atmosfera de tranquilidade, a caminhada pode ser árdua. Muitas desistem pelo meio do caminho. Eis meu relato abaixo.

Tive um processo difícil. Durante a gravidez, pouco colostro saía. Colostro é aquele líquido transparente que é super importante para os primeiros dias de vida do bebê, pois, grosso modo, ele fortalece o sistema imunológico e limpa o intestino do bebê . O fato é que tive um parto cesário depois de 18 horas de indução para normal, resultado: eu estava cansadíssima e Miguel, exausto. Ele só dormia, não tinha forças para sugar o peito ou ficar acordado. Daí, ele foi para o leite artificial, a cada 3 horas, lá vinha uma enfermeira para dar o tal leite em copinho. Na segunda noite no hospital, me empenhei em acordar antes dos copinhos. Sentava com ele, e pacientemente tentava acordá-lo e fazer com que pegasse o peito… . só o amor para nos dar força para tanto esforço físico.

Na manhã da alta, sou seja, no terceiro dia, quando finalmente ele havia conseguido pegar o peito, soube que ele teria de ficar no berçário, pois teve incompatibilidade sanguínea pelo Grupo A, B, O. Eu sou O e ele é A, isso aumentou o grau de icterícia nele. Eu não tinha ideia de quantos dias ele ficaria ali. Lá deixei a maternidade sem meu filho pensando que todo meu trabalho poderia ter ido por água a baixo. Foram 24 horas sem amamentá-lo. No quarto dia , voltei ao hospital para buscá-lo, pedi ajuda de uma enfermeira. Eu disse: “não tenho leite, mas quero muito amamentar”. Ela sabiamente consultou minhas mamas, olhou nos meus olhos e disse: “Quem te disse que você não tem leite? Olha aqui, você está cheia de leite”. Meninas, não saía nada de leite. Só sei que fui para casa confiante de que eu era capaz de alimentar meu filho, que já estava mais esperto e com fome… eu cheguei a ficar até 3 horas com ele nos peitos, ele chorava, o peito doía, sangrava. Até que na segunda noite em casa, ele chorou muito, irritado com fome. Eu me desesperei, pedi que comprassem uma lata de leite NAN. Antes que o pai voltasse com o leite, ele adormeceu de cansaço…

Na madrugada, ele acordou e eu coloquei-o no peito. Bingo! Eu tinha leite. Só muita insistência para ultrapassar essa etapa. Talvez, o conforto de saber que se eu falhasse, teria a lata de leite em casa e da enfermeira ter dito, com todo saber científico, QUE EU TINHA MUITO LEITE, gerou um efeito placebo necessário para confiança de que eu era capaz de amamentar. Resumo: acreditem, todas nós temos leite. O desafio para muitas mães é avançar os primeiros dolorosos dias, que não são fáceis, mas depois de vencer esse período, a alegria de saber que estamos proporcionando o melhor alimento para nossos pequenos é imensa, mesmo com sono e cansaço, descobrimos que temos muito resistência física e emocional. Sem contar que o preço da lata de leite chega a R$ 46,00, enfim, amamentar só tem vantagens!

Hoje, Miguel está com 1 mês e 14 dias. Desde que nasceu, cresceu 4 cm, engordou 885 gramas, com amamentação livre e exclusiva. Ele é um bebê tranquilo, dorme bem, sorrir muito e é saudável!

Vanda Regina Albuquerque

Vanda Regina Albuquerque é jornalista , socióloga, ativista da AMB e sócia do Coletivo Leila Diniz/Natal-RN, atualmente trabalha na União e Inclusão em Redes e Rádio (UNIRR/SP). Contatos: vanda.jorn@gmail.com e no twitter: @vralbuquerque

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