Massacre no Pinheirinho

Na última sexta-feira, dia 20 de janeiro, o Tribunal de Justiça Federal mandou suspender por quinze dias a liminar que autorizava a reintegração de posse da ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, cidade do interior de São Paulo. Mas na madrugada do dia 22, o governo do estado e prefeitura, por meio da juíza Maria Loureiro, da 6ª Vara Criminal do município, autorizou a entrada da força policial para promover a desocupação da área localizada na zona Sul da cidade.

Geraldo Alckmin e Eduardo Cury, ambos do PSDB, ordenaram a realização de uma verdadeira operação de guerra contra as mais de 1.600 famílias que residiam no local. Foram enviados mais de dois mil homens de 33 cidades diferentes para esta tarefa. Entre os destacamentos estavam a Tropa de Choque e a ROTA, que utilizaram blindados, helicópteros, cavalaria, bombas de gás lacrimogêneo, gás de pimenta, balas de borracha e armamento letal.

A desocupação aconteceu por volta das seis horas da manhã. Neste momento, os primeiros homens da Tropa de Choque foram vistos estourando os portões que dão acesso a ocupação. As tropas avançaram contra a população dentro do terreno dando tiros de bala de borracha e arremessando bombas. Muitas destas bombas caíram dentro das casas das pessoas, deixando inúmeras delas feridas. A ação não parou nem mesmo diante dos apelos de muitos moradores que pediam o fim da violência porque no local havia idosos e crianças.

Enquanto a Tropa de Choque agia por terra, helicópteros sobrevoam o Pinheirinho de forma ameaçadora, realizando diversos voos rasantes para tentar amedrontar a população.

Esta, por sua vez, resistiu da maneira que pode. Diante do ataque surpresa, a milícia organizada pelos ocupantes não consegui entrar em ação dentro do Pinheirinho, no entanto, os moradores, sobretudo os mais jovens, arremessaram pedras, atiraram rojões e colocaram fogo em barricadas para impedir o avanço das forças de repressão.

Segundo o depoimento de um dos militantes do Partido da Causa Operária (PCO) que estava dentro do acampamento e fez parte deste enfrentamento, os confrontos duraram horas. “A luta mais intensa contra a Tropa de Choque durou, aproximadamente, uns 45 minutos. Depois disso, a maioria dos companheiros foi encurralada por diferentes destacamentos policiais. Aqueles que não foram detidos, a esmagadora maioria, entraram em alguma das casas para se refugiar. Mas mesmo depois de cinco horas de operação ainda era possível ouvir disparos e bombas vindos de outras partes do Pinheirinho. Eu estava refugiado em uma das casas e percebi que estes confrontos que começaram às seis horas duraram pelo menos até o meio-dia aproximadamente”, afirmou o estudante André Sarmento.

Para enganar a população do Pinheirinho, a PM divulgou que faria “apenas” uma operação chamada por ela mesma de “pente fino”. O objetivo seria buscar armas de fogo que supostamente estariam sob o poder dos trabalhadores. A operação “pente fino”, no entanto, se transformou em uma ação de despejo das famílias. Homens da ROTA começaram a entrar de forma ilegal nas casas e eles e outros destacamentos da polícia passaram a lacrar as residências. Os moradores foram obrigados a deixar suas casas com apenas aquilo que conseguiam carregar em mãos. “Consegui sair do Pinheirinho apenas às 16 horas. Na avenida em frente à ocupação era possível ver inúmeras famílias carregando malas e um número incontável de policiais cercando o terreno. Durante o período da noite recebi a informação que começaram as primeiras demolições das casas desocupadas”, afirmou Sarmento.

Estado de sítio e assassinatos

O Pinheirinho ficou sob total estado de sítio. A polícia ordenou que estava proibido circular pelas ruas da ocupação e, consequentemente, os moradores foram obrigados a ficar dentro de suas casas. Mas foi do lado de fora que a repressão foi mais intensa.
Em frente a uma das entradas da ocupação, moradores do Pinheirinho, do bairro vizinho, o Campos dos Alemães, e demais trabalhadores solidários a esta luta se concentraram e enfrentaram a polícia.

A ação repressiva da PM resultou em sete mortes, segundo dados obtidos na noite do domingo pela nossa redação. O número, no entanto, pode aumentar nas próximas horas, uma vez que ainda há pessoas desaparecidas e outras internadas em estado grave correndo risco de morte. Entre os mortos estão uma criança de nove anos, um bebê de um ano e cinco meses e uma mulher grávida.

Segundo apurou a equipe de redação do Causa Operaria Online, ainda ocorreram confrontos no local que a prefeitura destinou aos moradores após a ocupação.
A polícia voltou a disparar tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo nos manifestantes durante a noite.

Fora Alckmin! Abaixo a ditadura do PSDB em São Paulo!

A repressão aos movimentos sociais, uma marca registrada do PSDB, vem se intensificando no último período. Somente neste mês tivemos mais um ataque ao movimento estudantil da USP, uma ação “higienista” na Cracolândia e, agora, um massacre na ocupação do Pinheirinho.
Estes ataques são uma tentativa da direita de conter a crescente revolta da população, resultado da desagregação do regime político e do aprofundamento da crise capitalista no Brasil. No Pinheirinho, por exemplo, a população organizou uma milícia para responder a política repressiva que atendia aos interesses do especulador Naji Nahas.

A ação do PSDB, embora tenha resultado em um massacre da população e no despejo de quase 10 mil pessoas, tende a aprofundar esta crise, aumentando a tendência de luta da população contra a burguesia e o regime político.

Neste sentido, é preciso realizar uma ampla campanha de denúncias sobre o que realmente aconteceu no Pinheirinho, mostrando aquilo que a imprensa capitalista está tentando esconder. Ao mesmo tempo, os trabalhadores devem se organizar para novos enfrentamentos como este, pois eles certamente virão no próximo período.

Fonte: http://www.portogente.com.br/

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