Entidades ligadas a índios apontam contradições em relatório da PF sobre ataque a acampamento

Após nota preliminar divulgada pela Polícia Federal a respeito do atentado ao acampamento indígena Guayviry, em Aral Moreira, no dia 18 de novembro, a qual diz que o filho do cacique desaparecido (Nísio Gomes) teria se contradito ao falar que o pai estaria morto, órgãos ligados aos índios cobram uma resposta mais sólida a respeito do caso. Alguns enxergam contradições no relatório e todos esperam um maior esclarecimento. O coordenador do CIMI – Conselho Indigenista Missionário, Flávio Vicente Machado, disse que o conselho está no aguardo de um boletim mais completo por parte da PF, daí então se posicionarão a respeito dos fatos. Ele acredita que o mesmo deve sair entre hoje ou amanhã. “Essa nota que foi divulgada está bastante contraditória, com informações soltas, incompletas. Por exemplo: uma hora diz que havia uma caminhonete num local, outra hora fala que não tinha. Estamos esperando sair a nota completa”, informou Machado. O órgão foi contatado pela Polícia Federal ainda ontem. “Mas acreditamos que não existem motivos para índios mentirem. O Cimi acredita na versão dos índios, que são categóricos ao afirmar sobre a morte”, completou. Já o professor Antônio Brandi, historiador do NEPP – Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas, comentou que, naturalmente, o núcleo não sabe como os próprios índios verão este parecer da Polícia Federal. De acordo com ele, o documento oficial final sai na próxima semana. “O parecer provisório traz poucas informações. Todos querem saber onde está o Nísio. Não me parece estratégia indígena qualquer iniciativa no sentido de ocultar o corpo ou a pessoa do cacique. O problema é: onde está o índio?”, questionou. “E é difícil prever isso”, continuou. “Nos outros casos, há cerca de três anos, por exemplo, onde dois professores indígenas desapareceram, um dos corpos foi encontrado meses depois. O outro continua desaparecido até hoje, como o do cacique. Nesse sentido, fica bastante desanimador o relatório da PF”, frisou. “Efetivamente todos nós queremos saber, vivo ou morto, onde está o índio. Nesse contexto, o documento não avança”, argumentou. “Sobre o fato do filho do índio ter dado informações contraditórias, como diz a nota, não quero supor que há uma estratégia indígena de mentir, e é importante avaliar a tensão do momento”, disse o historiador. “Não vejo porquê indiciar o filho do Nísio, isso não faz sentido. Logicamente que, num contexto de extrema violência, é compreensível que a pessoa tenha passado tal informação, principalmente nós, que trabalhamos com os índios, entendemos isso”, declarou. Para Brandi, o relatório pouco avança na localização do cacique, que é o que todos querem saber. Ele acredita que o parecer final sai na quinta ou sexta-feira da próxima semana. “O que nos preocupa é que, olhando os últimos acontecimentos, os inquéritos da PF não têm produzido efeitos muito animadores. Vemos vários desaparecidos, mortos e a Polícia Federal consegue produzir e transmitir poucas informações”, ressaltou. “Esperamos que, nesse caso, venha mais esclarecimentos. Queremos localizar, de fato, o Nísio”, finalizou.
Fonte: Flávia Vasques – Capital News (www.capitalnews.com.br)

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