Quatro fazendeiros são indiciados por sumiço de cacique indígena em Mato Grosso do Sul

Quatro fazendeiros foram indiciados pelo desaparecimento de um cacique indígena que comandava um acampamento montado dentro de uma fazenda na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. No total, a Polícia Federal indiciou onze pessoas. Três chegaram a ser detidas, mas já estão em liberdade.

Desde o dia do episódio – 18 de novembro último – os índios sustentavam o histórico de que o líder indígena foi morto a tiros por pistoleiros, e o corpo, tirado dali numa caminhonete.

O relatório da PF não confirma essa versão, mas admite que o local foi invadido por seguranças contratados por fazendeiros da região. A missão dos agressores seria retirar os índios do acampamento “mediante forte ameaça”. Até agora, o cacique não foi localizado.

A área do conflito fica entre as cidades de Amambai e Ponta Porã (MS). Pelo menos 60 índios guarani-caiová ocuparam a entrada da fazenda Aurora no início de novembro. A terra em questão é disputada na Justiça. Os seguranças teriam entrado no local atirando, e os índios, fugido para a mata.

De acordo com o comunicado da PF, peritos coletaram uma porção de sangue caído no chão, que, segundo os guarani-caiová, seria de Nizio Gomes, 59, o cacique que teria sido baleado e morto durante a investida dos três seguranças.

Ocorre que, segundo a PF, a quantidade de sangue não foi suficiente para revelar o perfil genético do índio, isto é, comprovar que o material pertencia mesmo ao cacique.

A nota da PF afirma que pelo volume de sangue achado não dá para garantir que o cacique morreu ali no acampamento, e seu corpo foi arrastado até uma caminhonete pelos seguranças, conforme relatos dos índios. As munições usadas pelos agressores eram de borracha.

A investigação da PF diz ainda que o filho do cacique, principal testemunha do ataque dos seguranças, mentiu em seu primeiro depoimento ao dizer que o pai havia morrido no ataque e que os agressores entraram no acampamento em caminhonetes.

Pela apuração da PF, os seguranças entraram a pé por uma mata. A testemunha, segundo o relatório, sabia que o acampamento seria atacado e aguardou os agressores armado com a espingarda.

Porte ilegal de armas

Depois da invasão, a testemunha procurou a polícia e acusou “pessoas inocentes que integrariam o grupo armado que atentou contra os indígenas”. Por esta razão, o filho do cacique foi indicado por denunciação caluniosa.

Já os quatro fazendeiros, três administradores, um advogado e os três seguranças, cujos nomes não foram revelados, foram indiciados por formação de quadrilha e por porte ilegal de arma de fogo.

Durante a investigação, a PF pediu a prisão dos fazendeiros, mas a Justiça Federal não acatou o pedido. Um dos seguranças trabalha numa empresa de Dourados (MS). Os outros dois teriam sido contratados como “free lance”.

Homens da Força Nacional vigiam o acampamento dos índios por determinação do Ministério da Justiça. Hoje, ao menos 200 índios ocupam o local e disseram que saem dali somente quando a Justiça definir que a fazenda pertence a eles.

Uma moradora de Brasília diz que herdou a área da avó, que seria dona da fazenda desde a década de 1920. Ela arrendou a terra a um plantador de soja da região. A PF informou que conclui o inquérito amanhã, quinta-feira (22).

Celso Bejarano
Do UOL Notícias, em Campo Grande

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