Balanço Social e Político 2011. ‘Povos da terra’ do MS ficam cativos a uma correlação de forças desfavorável

Campo Grande/MS, 9 de dezembro de 2011

 

"Denúncia: Massacre de Indios Guarani Kaiowá em Mato Grosso!", no Blog Fórum Educação (contém imagens chocantes)

 

No ano que está terminando, em âmbito internacional, vemos que o modelo globalizante do imperialismo assume de vez que o planeta Terra é território do capital. Tudo é olhado desde o prisma mercantil, e o que é interesse do capital só um dono pode ter: o capital. Porém, infelizmente, além da terra às culturas também sofreram guerras de todo tipo para serem modificadas e transformadas a imagem e semelhança de ocidente, ou seja, das matrizes do capitalismo imperialista. A mensagem foi clara: As culturas, línguas, organizações sociais, crenças e os costumes dos povos, se unicamente enriquecem às civilizações que as possuem, e perpetuam somente tradições na face da terra, pouco importa se não são funcionais ao capital. Elas agora precisam ser efêmeras, devem mudar para enriquecer e perpetuar o capital. E não é suficiente que desapareçam; é necessário também que elas se ocidentalizem. Ou seja, que os povos que as ostentam com orgulho se ocidentalizem. O embate econômico submerge mais do que nunca debaixo do embate ideológico. O objetivo é “comprar” a consciência dos trabalhadores, acabar com as resistências organizadas de massa e liberar o caminho para acumular mais capital.

No Brasil se registraram importantes lutas sociais e debates político-ideológicos em função à defesa da terra, da reforma agrária e ações contra a agressão do solo, das águas, da vida, dos alimentos: Ressaltou a Campanha pelo Limite da propriedade, as mobilizações contra a reforma do Código Florestal, a Campanha contra os Agrotóxicos, a resistência indígena na luta pela garantia de seus direitos constitucionais, a luta das mulheres camponesas, dos quilombolas, dos sem terra e dos pequenos agricultores familiares.

No Mato Grosso do Sul (MS)

O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul – PMDB, (base aliada do governo federal) tem características ultraconservadoras. É apropriado para “desbravar” ideologicamente qualquer resistência que se opunha ao projeto estratégico que o capital financeiro nacional e internacional tem pré-estabelecido no seu roteiro neste estado de poucos habitantes e muita terra. Pois é: o tempo de desbravar matas nativas e expulsar seus habitantes tradicionais de seus territórios é uma etapa superada. É tempo de garantir o máximo de lucro da terra-mercadoria. Nada melhor para isso que um governo que seja parceiro certo dos interesses do capital. Nos dois últimos anos, num curto período de tempo, o governo estadual utiliza dois lemas adequadamente funcionais ao agronegócio: Primeiro: “rumo ao desenvolvimento” e agora “em pleno desenvolvimento”. Com suspeita de usar dinheiro do governo federal em propaganda e publicidade (Jornal O Estado MS 4-8-2009; quase R$ 20 milhões somente em propaganda em 2011-http://www.midiamax.com.br/view.php?pag=8&mat_id=756871), introduz pelos médios de comunicação de massa, uma ideologia devastadora: Colocar sobre tudo na consciência da classe trabalhadora, dos camponeses e dos povos indígenas; e de toda a sociedade, que qualquer conceito de luta e resistência contra esses slogans é quase que um crime. Nada pode deter o desenvolvimento! E, como o poder político e econômico no Estado mantêm características ultraconservadoras, os resultados sociais, culturais e econômicos para os “povos da terra” são catastróficos.A violência no estado em face ao controle territorial se constitui em todas suas formas: estrutural, sistemática, institucional e direta.

Mato Grosso do Sul tem 358.159 Km²; 36 milhões de hectares de terra e 2.3 milhões de habitantes. A “capital” brasileira do agronegócio empresarial, diferente de seu vizinho Mato Grosso (MT), que tem 27% de seu território pertencendo a povos indígenas, tem só 0,1% de sua geografia ocupada em forma permanente pela segunda maior população nativa do país. Tem 5.400.000 hectares de terra devoluta (pública), a maior parte grilada (títulos privados forjados ou falsificados); e aproximadamente 8.5 milhões de hectares de latifúndio improdutivo. Somados são mais de 13 milhões de hectares que não cumprem nenhuma função social, ou está sendo ocupado ilegalmente pelo agronegócio (Fonte: A questão agrária em Mato Grosso do Sul-UFMS-organizadora Rosemeire Aparecida de Almeida).

Em 2011 o capital financeiro ligado à exploração e aos exploradores do território sul-mato-grossense, fez deboche de seu poder e expandiu nas terras não só monoculturas e venenos, senão também provocou expulsões, despejos, trabalho escravo, pistolagem, assassinatos, maior concentração de terra, maior violência, contaminação de alimentos, do ar e de córregos; de seres humanos e animais, ameaças e impunidade.

O capital em MS, por tanto, em 2011 consolida seu poder econômico e político da mão de sua própria ideologia que abafou e afundou mais ainda a ideologia da classe trabalhadora, que com suas organizações em refluxo só praticamente assistiram o “trem do desenvolvimento a qualquer custo” passar. O capital se apropriou do latifúndio e produz mercadoria para aumentar seus lucros e não para garantir a alimentação do povo. O capital transforma a improdutividade do latifúndio em agronegócio rentável para as transnacionais. O que era terra nua só para a especulação imobiliária hoje é território da soja, da cana, do eucalipto, milho e boi. A “aliança terra-capital” no MS reduz espaço para a reforma agrária e empurra os povos indígenas para o etnocidio. A democratização fundiária, a demarcação de terras indígenas e o fortalecimento da agricultura familiar camponesa são programas colaterais ao poder real. Sendo transversais não podem atrapalhar e sim ajudar à mãe da evolução e o desenvolvimento: o agronegócio.

Omissos e cativos

Os movimentos sociais, sindicatos, as entidades, e demais organizações populares de Mato Grosso do Sul não souberam ou não soubemos articular alianças duradouras e estratégias claras de luta para levantar um programa de ações sociais e políticas autônomas para enfrentar o monstro. Muitas organizações ficaram absolutamente omissas e acomodadas perante a realidade. Outros assumiram sim um grande compromisso em prol da defesa dos direitos humanos. Embora, sem criatividade e visão política todos ficaram cativos ao setor do capital sempre atuante; que soube manter a seu favor a correlação de força representativa da classe exploradora da terra e dos filhos da terra. Para sair dessa é preciso abandonar o imediatismo, provocar o debate ideológico dentro dos sindicatos, das organizações de luta pela terra e na terra, do movimento quilombola e indígena, e outras organizações cuja sobrevivência, social, econômica e cultural depende da terra o do território secular. E preciso unidade, formação política permanente, articulação social e política, fortalecimento e autonomia das organizações populares e um claro programa de luta que vise mudanças duradouras na correlação de forças. De outro jeito, a meio e longo prazo, ficando cativos e omissos, corremos risco de sermos também funcionais ao capital e ao agronegócio.

[* Dados e estatísticas: arquivo da CPT/MS].

Fonte:

CPT-MS
Comissão Pastoral da Terra – MS
Adital
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3 respostas para Balanço Social e Político 2011. ‘Povos da terra’ do MS ficam cativos a uma correlação de forças desfavorável

  1. Um dos garotos o Jos , que de Mato Grosso do Sul, mas mora em Bras lia e trabalha com l ngua de sinais.

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