Massacre de índios em acampamento em Amambaí

Antes de 1500, milhões de índios viviam no Brasil. Hoje em dia, a população indígena não chega a 300 mil. E depois de todo esse tempo, ainda não se conhece muito sobre os índios brasileiros. Acredite se quiser: ainda existem 54 grupos indígenas que não têm contato constante ou conhecido com os “homens brancos” (daria para ainda bem…). Quem pensa que índio é tudo igual, está muito enganado. Entre as sociedades indígenas, existe uma incrível variedade de culturas, modos de vida, costumes, línguas (mais de 200), rituais. E na época do descobrimento essa variedade era muito maior. Basta imaginar que algumas nações indígenas brasileiras tinham a mesma população de países europeus daquela época. Hoje em dia, a maior parte dos índios vive em reservas indígenas, que são áreas demarcadas e protegidas pelo governo. Está lá na Constituição: os índios têm direitos sobre “as terras que tradicionalmente ocupam”. A área de uma reserva indígena deve incluir não só a aldeia (onde os índios moram em casas chamadas ocas) como também as terras em volta, onde se pode plantar, caçar, pescar. Na reserva, os índios mantêm seus costumes. Mas isso não significa que estão isolados do resto do país. Eles participam da vida social, se candidatam a cargos políticos, reclamam da crise econômica e tudo mais.

O caso de violência contra os indios da etnia guarani-kaiowá na aldeia Guaviry, dia 18/11/2011, não é um caso isolado pois segundo o Ministério Público Federal existem ainda os seguintes casos constatados:

Indígena ferido em ataque a aldeia Guaviry

Puelito Kue
A questão indígena em Mato Grosso do Sul é marcada por situações de violência. São diversos os casos que envolvem ataques e assassinatos de lideranças. Em setembro deste ano, índios do acampamento Puelito Kue – em Iguatemi, também no sul de Mato Grosso do Sul – foram atacados por homens armados. Vários indígenas ficaram feridos e o acampamento, às margens de uma estrada vicinal, foi totalmente destruído.

Curral do Arame
Em setembro de 2009, os guarani-kaiowá de Curral do Arame, na BR 463, a 10 km de Dourados, foram agredidos por um grupo de homens que entrou no acampamento, atirando em direção aos barracos. Um índio de 62 anos foi ferido por tiros, outros indígenas agredidos e barracos e objetos foram queimados. (Confira imagens do ataque).

Ypo’i
Em 31 de outubro de 2009 os professores indígenas Jenivaldo Vera e Rolindo Vera foram mortos durante expulsão de área reivindicada pelos indígenas como de ocupação tradicional indígena da etnia guarani-kaiowá (Tekoha Ypo´i), na Fazenda São Luiz, em Paranhos, sul do estado. Mário Vera, à época com 89 anos, recebeu pauladas nas costas, ombros e pernas. Os dois professores foram mortos e os corpos, ocultados. O corpo de Jenivaldo foi encontrado uma semana depois, em 7 de novembro, dentro no Rio Ypo´i, próximo ao local do conflito. O corpo de Rolindo não foi encontrado até hoje.

Desde 19 de agosto de 2010, os indígenas guarani-kaiowá ocupam a área de reserva legal da fazenda. Eles estão amparados por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região –  TRF3 –  que cassou ordem de reintegração de posse “até a produção de prova pericial antropológica”, ou seja, os estudos que confirmem os indícios de ocupação tradicional da região por aquele grupo étnico. Segundo o Tribunal “existem provas de que a Fazenda São Luiz pode vir a ser demarcada como área tradicionalmente ocupada pelos índios”.

Violência contra os índios é maior que a média nacional

O problema atualmente enfrentado pela 2ª maior população indígena do país (70 mil índios) é a falta de terra e suas consequências: violência, falta de meios de sobrevivência ou geração de renda. As mortes ocorrem na luta pela terra (após ocupações de áreas reivindicadas como territórios indígenas), geralmente por ação de grupos que resolvem fazer justiça com as próprias mãos, ou pela criminalidade gerada pela pobreza associada à superlotação das reservas.

A etnia guarani-kaiowá, concentrada no cone sul do estado, é a que sofre a maior violência. A taxa de homicídio entre os guarani-kaiowá do estado é de cem para cada 100 mil habitantes, quatro vezes a média nacional.

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4 respostas para Massacre de índios em acampamento em Amambaí

  1. Felipe Schinaider disse:

    Bom dia,
    este acontecimento foi no município de Aral Moreira, e não em Amambai.
    Estão veiculando a notícia errada, favor arrumar!
    obrigado.

    • mundosofismo disse:

      Caro Felipe, obrigado por vossa participação e interesse na informação correta, estamos confirmando os dados apresentados para realizar as devidas correções.

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