Desde o Brasil de Fato até a CNN noticiaram nacional e internacionalmente o que o CIMI chamou de chacina de indígenas no Mato Grosso do Sul, onde pistoleiros executaram o cacique Nisio Gomes e levaram seu corpo. Os relatos ainda dão conta de indígenas feridos por balas de borracha e de três jovens baleados dos quais dois estão desaparecidos e outro se encontra hospitalizado.
É impressionante o descaso e a indiferença da FUNAI dirigida por Márcio Meira, pois nem sequer o caso foi noticiado no site oficial da FUNAI http://www.funai.gov.br/ que se auto intitula Portal do Cidadão – Povos Indígenas.
O órgão, que é responsável pelo andamento do processo de identificação e demarcação das terras indígenas que desde 2008, está parado. Outra omissão inadmissível é do Ministério da Justiça que não cobra celeridade da FUNAI.
E por fim, fica clara a irresponsablidade e desinteresse da casa civil que não se manifesta nem no momento da morte daqueles a quem deveria proteger.
Mais uma vez o Estado brasileiro e seus legitimos representantes se mostram ao lado do latifúndio, esquecendo-se dos compromissos de campanha e das populações vulneráveis de nosso país.
De um lado temos a celeridade para entregar o patrimonio e os recursos públicos para a realização das festas do capital e da exclusão, como a copa do mundo entre outras e de outro temos a invisibilidade da vida de nossa gente, que morre nas mãos dos latifundiários e nem sequer vira notícia na imprensa oficial, esses são sinais dos tempos, basta lê-los para saber onde foi parar a dita “esquerda” que está no poder.
Caros colegas da Rádio Cirandeira,
Sou assessor de imprensa na Funai, e gostaria de esclarecer que a Funai não está indiferente ao crime bárbaro cometido contra os Guarani. Acho que o texto aqui foi muito infeliz e irresponsável em fazer acusações levianas desta forma, que depões contra aqueles que dedicam suas vidas em favor da causa indígena. Esclareço:
1 – Realmente não publicamos nada no Portal dos Povos Indígenas, em função do número reduzido de jornalistas no quadro da instituição (somos 4 para tratar de todo o Brasil) e da enorme demanda de jornalistas que tivemos que atender para prestar informações sobre o caso;
2 – Não somos uma agência de notícias, não publicamos o factual como fazem os jornais. Ações do governo para a população guarani no MS já foram publicadas em outros momentos. Este fato específico, já está ganhando desdobramentos na esfera governamental e em breve serão noticiados. O assassinato em si foi amplamente divulgado na mídia com o apoio da ASCOM/FUNAI, prestando todo tipo de auxílio ao jornalistas que também se indignam com o fato.
3 – Não é verdade que o processo esteja parado, muito menos que tenha havido omissão. O processo demarcatório da Terra Indígena em questão teve início em julho de 2008, e desde então foi paralisado diversas vezes por ações judiciais movidas por produtores rurais da região e forças políticas municipais e estaduais. Hoje este processo encontra-se livre de impedimentos judiciais e na fase final de conclusão do relatório circunstanciado de identificação e delimitação.
Vale lembrar que representantes da Funai de Ponta Porã prestam todo apoio à comunidade indígena desde o dia do ataque, apurando o crime, em conjunto com agentes da polícia e de outros órgãos do governo.
A questão no MS vai muito além desse ato brutal de atentado contra a vida dos Guarani. Ficamos à disposição para prestar informações e rafirmamos nosso comprometimento com os povos indígenas do Brasil.
Atenciosamente,
Mayson Albuquerque – (61) 3313-3512 / mayson@funai.gov.br
A Rádio Cirandeira fica muito feliz com a participação de Mayson Albuquerque assessor de imprensa da FUNAI, o seu comentário e as informações apresentadas, serão divulgadas pela Rádio Cirandeira e estamos abertos para receber e publicar todos os releases, pronunciamentos, posicionamentos, deliberações e encaminhamentos da Funai no cumprimento do seu papel e na defesa dos povos indígenas do Brasil.
1. O Portal é o contato mais rápido da FUNAI com a opinião pública e mesmo com os povos indígenas, PORTANTO DEVE SER PRIORIDADE, MESMO QUE TENHA APENAS 1 (UM) JORNALISTA, NOTICIAR O ACONTECIMENTO E OS ENCAMINHAMENTOS QUE ESTÃO SENDO TOMADOS PELA INSTITUIÇÃO PARA GARANTIR A VIDA DOS QUE SOBREVIVERAM AO ATAQUE;
2. O assassinato NÃO FOI AMPLAMENTE DIVULGADO PELA MÍDIA , E O PIOR, A ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO ÓRGÃO INDIGENISTA ESQUECE O COMPROMISSO CONSTITUCIONAL COM A TRANSPARÊNCIA, DEVENDO INFORMAR A POPULAÇÃO E NÃO SERVIR COMO SUPORTE DA MÍDIA COMERCIAL;
3. A OMISSÃO está caracterizada no órgão indigenista RESPONSÁVEL POR GARANTIR A INTEGRIDADE DOS POVOS INDÍGENAS, ABANDONÁ-LOS SEM GARANTIR, POR TODOS OS MEIOS POSSÍVEIS A PROTEÇÃO QUE TEM DIREITO, AINDA MAIS COM AS REITERADAS AMEAÇAS DOS FAZENDEIROS.
Por fim se espera que estes criminosos, os por ação e os por omissão (CRIME DE RESPONSABILIDADE) sejam punidos nos termos da lei.
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